MODO DE VOLAR

And He was asking him, "What is your name?" And he said to Him, "My name is Multitude; for we are many."

The revolution will be tweeted [PT]

Enquanto os poderes visam, geralmente, “manter as coisas no estado em que estão, evitando transformações radicais”, recorrendo para o efeito “a aparatos de construção do conhecimento social”, as redes sociais oferecem “possibilidades de construir os conhecimentos e de os construir de uma forma diferente e de uma forma coletiva”, que “não é controlável por instituições centralizadas ou por um poder centralizado”


rev-will-be-tweeted

Fragmento da peça de Helena Sousa Freitas e “PJA” (?) sobre repressão e as redes sociais, LUSA: Redes sociais constituem ferramenta essencial de contrapoder.

(..) Enquanto os poderes visam, geralmente, “manter as coisas no estado em que estão, evitando transformações radicais”, recorrendo para o efeito “a aparatos de construção do conhecimento social”, as redes sociais oferecem “possibilidades de construir os conhecimentos e de os construir de uma forma diferente e de uma forma coletiva”, que “não é controlável por instituições centralizadas ou por um poder centralizado”, afirmou Pedro Feijó, de 23 anos.

Ex-aluno do Liceu Camões, onde, em 2009, na cerimónia do centenário da escola, criticou publicamente a então ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, Pedro Feijó frequenta atualmente um mestrado no Reino Unido e estava no Gezi Park, em Istambul, em maio de 2013, quando o espaço esteve ocupado por milhares de manifestantes, até à intervenção das autoridades.

“Quando despejaram o Gezi Park, o Twitter estava extraordinariamente ativo, com informações a circular, debate político e tomada de posições” e serviu de “arma organizativa, para as pessoas comunicarem umas às outras que manifestações estavam a acontecer, onde estavam a acontecer, como é que podiam ajudar ou acompanhar”, contou Pedro Feijó.

Segundo ele, a rede de microblogging foi igualmente utilizada nesses dias na Turquia “para estabelecer redes internacionais, para trocar conselhos sobre como resistir e como avançar, para informar sobre os locais onde a polícia estava, onde atacava e com o quê”.

Para Pedro Feijó, outro bom exemplo é o do Black Lives Matter: “Em 2015, a resistência do movimento negro nos Estados Unidos e a resistência palestiniana trocaram – via Twitter e Facebook – informações sobre como lidar com os ataques da polícia e com o gás lacrimogéneo, estabelecendo um paralelismo entre as técnicas utilizadas pelo exército israelita e as da polícia norte-americana”.

Assinalando que “na China há medidas muito restritas relativamente à utilização de redes sociais” e que, “em muitos países, os governos controlam o tipo de conteúdos que pode estar online, algo que as redes sociais por vezes também assumem”, Pedro Feijó acredita que “o controlo é possível e há mais do que muitos exemplos disso”, não sendo preciso ir muito longe para os encontrar.

“Basta pensar na atitude do estado espanhol no ano passado, com a Lei Mordaça, em que um dos mecanismos de repressão foi a proibição de colocar conteúdos nas redes sociais, com as pessoas a serem perseguidas judicialmente por partilhar imagens de manifestações, de polícias à paisana ou de violência policial”, evocou.

As tentativas de controlo têm, contudo, enfrentado resistência, “tanto dentro como fora dos meios mais institucionais, tanto nas redes sociais e nas ruas como por parte de partidos de esquerda”, acrescentou Pedro Feijó, que considera muito improvável que os cidadãos aceitem placidamente que lhes seja retirado o acesso às redes sociais.

Afinal, relatou, perante os protestos na Turquia, alguém pintou numa parede o slogan norte-americano relativo aos direitos civis “the revolution will not be televised” (“a revolução não vai ser difundida pela televisão”) numa versão atualizada: “The revolution will not be televised, it will be tweeted” (“A revolução não vai ser difundida pela televisão, vai sê-lo pelo Twitter”).

Ler também: Redes sociais são “arma de eleição” para protestar.

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